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Saúde -> Janeiro 2008 -> Creatina

Creatina
Segundo Joseph Quatrochi, Ph.D. e professor no Metropolitan State College em Denver, todo mundo já ouviu falar de Creatina alguma vez na vida. O que é a Creatina afinal? É um aminoácido geralmente encontrado nos alimentos ricos em proteína como a carne vermelha e o peixe. A Creatina não é um esteróide. O fosfato de creatina é utilizado pelos músculos para gerar energia nos 10 primeiros segundos de um trabalho intenso, como no treinamento da Musculação, por exemplo. Ela fica estocada nos músculos e raramente está disponível para a reposição de energia para atividades intensas e de baixa duração. A Creatina ficou conhecida a partir do verão de 1998 quando foi revelado que o suplemento desta substância estava sendo utilizado por um jogador de beisebol , o McGwire e que bateu récorde de home run e se destacou em competições a partir daí.

A idéia de usar a Creatina como suplementação tem o objetivo de sobrecarregar os músculos de maneira, que estoque essa substância mais do que o normal . Teoricamente, esse procedimento vai ajudar o praticante de musculação, ou outra atividade semelhante, a completar mais repetições numa série ou levantar maior carga numa mesma repetição, e consequentemente conseguir um resultado melhor em força e hipertrofia muscular. Mas será que isso realmente funciona na prática? Estudos publicados dentro deste tema são muito inconsistentes. Uns afirmam que o uso de suplementos de Creatina, podem melhorar a performace, em atividades como a Musculação e Corrida de curtas distâncias . Outros desmentem tais resultados. Por existir tantas variáveis envolvidas, como a dosagem de creatina inicial, o tipo de treinamento, alimentação e ingestão de água, não se espera que os resultados sejam tão homogêneos. Especialistas em Fisiologia e Nutrição alertam aos "marombeiros" sobre o uso indiscriminado desta substância, pois nada ainda foi concluído a respeito dela ou sobre os efeitos colaterais da suplementação. Assim, O colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda que a creatina não deva ser usada por pessoas abaixo de 18 anos. E ainda afirma, que a maioria das pessoas conseguem atingir seus objetivos com um bom programa de atividades físicas e uma nutrição bem equilibrada.

Creatina: liberada e eficaz

Artigo básico na relação de suplementos da grande maioria dos atletas de alto nível, o uso da creatina já é comum também entre os freqüentadores de academias de ginástica interessados em esculpir os músculos. Com uma grande vantagem: ao contrário dos perigosos anabolizantes, cujo uso é proibido por lei e contra-indicado pelos médicos, a creatina é aceita pela comunidade médica, importada regularmente no Brasil, e até hoje não foi descoberto nenhum efeito colateral associado a ela.

Nos anos 80, começou a despertar a atenção pela possibilidade de melhorar a performance esportiva, mas só passou a ser adotada com esta finalidade a partir dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

Encontrada sob a forma líquida, em cápsulas ou em pó (para ser misturada com água), a creatina é, na verdade, uma substância que o próprio organismo produz naturalmente. Derivada de três aminoácidos distintos _ arginina, ornitina e lisina _, é uma das fontes de energia do corpo humano e existe em maiores concentrações nos rins, pâncreas e músculos.

A eficácia dos suplementos de creatina é mais evidente em indivíduos vegetarianos

Justamente por ser uma importante fonte de energia para contração muscular, a creatina em forma de suplementos é indicada para atividades de esforço intenso e pouco duradouro, de acordo com o doutor João Olyntho.

“É uma substância segura para esportes que exigem muita potência num curto espaço de tempo, como aqueles que envolvem saltos, corridas de curta distância, lançamentos, golpes de luta e movimentos do vôlei e do basquete, por exemplo”, descreve o médico.

A eficácia dos suplementos de creatina é mais evidente em indivíduos vegetarianos, segundo João Olyntho. Exatamente porque eles ingerem pouca proteína, substância também necessária para a formação da massa muscular, obtêm mais benefícios com o uso da creatina. “Os vegetarianos têm um ganho enorme com a creatina. Quem come carne já tem níveis mais altos da substância no organismo”, explica.

O único efeito colateral conhecido da creatina é a retenção de água no organismo

Mesmo assim, a substância em forma de suplemento também é indicada para atletas carnívoros, a menos que eles adotem uma dieta um tanto bizarra: um quilo de salmão por dia substitui as doses extras de creatina, segundo o doutor João Olyntho.

Entretanto, a despeito da opção alimentar de cada atleta, a substância pode ser usada sem problemas, já que não apresenta efeitos colaterais. “Por ser inócua, pode ser prescrita de forma indiscriminada a vegetarianos ou carnívoros”, explica. Segundo o médico, o único efeito colateral conhecido da creatina é a retenção de água no organismo, fato que pode estar ligado diretamente ao aumento da massa muscular dos usuários da substância.

Aceita pelo Comitê Olímpico Internacional, pela Food and Drugs Administration _ órgão do governo americano que regulamento o uso de medicamentos _, a creatina também pode ser usada por adolescentes ou idosos. Mas os atletas e freqüentadores de academias são mesmo seus principais usuários, todos interessados em aumentar a massa muscular magra, seja para melhorar resultados esportivos ou apenas a aparência.

O grande mercado consumidor da creatina está nas academias de ginástica

Segundo João Olyntho Machado Neto, a creatina, ingerida com carboidratos, penetra mais facilmente nas células e potencializa seus resultados. Ao mesmo tempo, não deve ser combinada com produtos que contenham cafeína, como café, mate, chás e refrigerantes à base de cola. De acordo com o médico, a cafeína inviabiliza os efeitos da creatina devido a uma reação bioquímica.

O médico diz que a creatina pode ser administrada por longo tempo, no caso dos atletas, sem prejuízo para a saúde. “Não há evidência da necessidade de interrupção de seu uso”, afirma. A dose inicial, segundo ele, é de 0,03 gramas de creatina para cada quilo de peso do indivíduo, durante uma semana. Depois disso, a posologia para manutenção é de dois a três gramas por dia.

Os malhadores de academias costumam tomar a mesma dose, segundo ele. “O grande mercado consumidor da creatina está nas academias de ginástica”, destaca João Olyntho, que é médico das academias cariocas Pró-Forma e Leblon. Para concluir, outra boa notícia: além de lícita, a substância, que não é produzida no Brasil, não engorda.


Creatina, uma proteção extra para os neurônios

A creatina, um suplemento popular usado por atletas, pode proteger contra problemas cerebrais causados por traumatismos cranianos. Pesquisadores da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, alimentaram ratos de laboratório com uma dieta rica em creatina durante quatro semanas. Depois do traumatismo, esses animais tiveram apenas metade dos problemas cerebrais que aqueles que mantiveram a alimentação normal.

De acordo com a pesquisa, a creatina ainda pode prevenir contra problemas secundários que ocorrem alguns dias depois dos traumatismos. Esses problemas são causados, aparentemente, pelo fim da regulação dos níveis de cálcio no cérebro. A creatina ajuda a manter os níveis normais.

“O estudo indica que os atletas estão ganhando uma proteção extra para os neurônios graças aos suplementos de creatina”, diz Stephen Scheff, chefe das pesquisas. Os cientistas alertam, no entanto, para o fato de que muitos deles estão utilizando o suplemento inadequadamente, em geral, em doses altas demais.

A creatina, encontrada naturalmente nos peixes e nas carnes bovinas, tem sido largamente usada por quem pratica atividades físicas, seja de nível profissional ou amador, para aumentar a força muscular e a resistência física.

Fonte: www.creatine.com.br

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Creatina - Verdades e Mentiras
Com os inúmeros apelos para consumirmos isso ou aquilo e as diversas sugestões de “amigos-técnicos” que nos indicam suplementos alimentares “milagrosos”, muitas vezes fica difícil saber o que realmente funciona, o que é inofensivo e o que pode ser prejudicial ao corpo. Entre as substâncias que vêm chamando a atenção de pessoas sempre prontas a experimentar o último lançamento, está a creatina. Apesar de sua função ser reconhecida há décadas, apenas nos últimos dez anos discute-se os possíveis efeitos da suplementação desse composto na performance. Prometendo aumentar rapidamente a massa muscular e a capacidade de gerar força num curto espaço de tempo, ela tem sido foco de estudos nutricionais e fisiológicos que estão descortinando seus reais benefícios.
O que é
A creatina é uma substância natural encontrada na carne vermelha e no peixe, e que também pode ser consumida na forma de suplementos em pó e em xarope. Ela exerce importante papel na contração muscular, fornecendo o fosfato para que o ciclo do ATP, responsável pela produção de energia em nosso corpo (veja infográfico), possa se manter por mais tempo. É como um combustível que fica armazenado em nossas células, pronto para ser usado quando necessário.
A creatina que ingerimos através da alimentação ou da suplementação é absorvida pelo intestino e lançada na corrente sanguínea sem sofrer alterações. A partir daí, é transportada por proteínas específicas para os músculos, onde se une ao fosfato e fica armazenada para ser “queimada” durante a atividade física. “Apesar de ser resultado da união de três aminoácidos, a creatina não é uma proteína. Ela é uma forma de armazenamento de energia muscular”, diz Flávia Abdallah, nutricionista da Clínica do Movimento, doutoranda em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e especialista em fisiologia do exercício (Unifesp).
Peso na corrida
A idéia de uma substância capaz de renovar infinitamente nosso estoque de energia é suficiente para fazer brilharem os olhos de qualquer corredor. Mas infelizmente esses benefícios só aparecem em atividades de curta duração e alta intensidade – os ganhos para quem corre, uma atividade caracteristicamente de resistência, são nulos.
A ineficácia da creatina para atividades de longa duração foi comprovada num estudo feito pela Universidade de Medicina Karolisnka, na Suécia. Nove corredores receberam suplementação de creatina (20g por dia) por seis dias, enquanto outros nove corredores ingeriram placebo. Todos os corredores eram bem treinados e experientes. Depois de seis dias, os atletas correram uma prova de 6km em terreno acidentado e, no dia seguinte, correram numa esteira até a exaustão num ritmo ligeiramente mais rápido do que seu melhor ritmo em provas de 5km. Nenhum dos corredores obteve melhora de performance na esteira. O grupo da creatina levou em média 30 segundos a mais para completar o percurso de 6km e apresentou maiores níveis de lactato no sangue depois do esforço na esteira. Os pesquisadores atribuíram esse resultado ao ganho de peso – em torno de 1%, segundo verificado no estudo – e ao aumento da densidade das fibras rápidas promovido pela creatina.
Ao armazenar-se nos músculos, a creatina provoca a retenção de água, trazendo uma aparência mais inchada e alguns quilos a mais. É por isso que muitos halterofilistas usam a creatina para ganhar massa muscular. Mas esse inchaço não vem acompanhado de aumento de força. “Os músculos são constituídos de aproximadamente 70% de água. A creatina leva água para as células musculares, dando-lhes volume, mas esse efeito é passageiro”, completa Flávia. Para os corredores, esse é mais um argumento para evitar a suplementação de creatina, uma vez que o aumento do peso corporal nos obriga a fazer mais força para nos mover quilômetro após quilômetro.
Só para velocistas
Já para velocistas a creatina parece ser mais eficiente. Estudos feitos pelo Dr. Eric Rawson, Ph.D do Departamento de Ciência do Exercício da Universidade de Bloomsburg, na Pensilvânia, e pela Dra. Priscilla Clarkson, da Universidade de Massachusetts, observaram o aumento da velocidade em provas de 100m e a redução total no tempo de seis sprints intermitentes de 60m nos indivíduos que receberam creatina, em comparação a nenhuma mudança do grupo que recebeu placebo. “Aproximadamente 70% dos estudos realizados sobre a suplementação de creatina em exercícios de alta intensidade e de curta duração mostram algum benefício ergogênico, ou seja, algum ganho obtido através da suplementação da substância que não seria promovido naturalmente pelo organismo”, revela o bioquímico R.B. Kreider em seus estudos de suplementação de creatina no aumento da performance e na adaptabilidade em treinamentos.
Entre esses estudos, está a pesquisa realizada por Kreider com atletas de salto em altura. Depois de ingerirem creatina, esses atletas saltaram no mesmo lugar por 45 segundos. Observou-se um aumento na performance de 7% nos primeiros 15 segundos, de 12% nos 15 segundos seguintes e nenhum benefício nos 15 segundos finais. Em testes de ciclismo de 30 segundos, foi constatado um aumento de 4% na média da performance dos atletas que receberam 20g de creatina por cinco dias antes do teste.
Esses resultados são explicados pela maneira que a creatina se armazena em nossos músculos: 5% da creatina que temos em nosso corpo é armazenada nas fibras de contração rápida – músculos que executam trabalhos de explosão, gerando grandes quantidades de força em pouco tempo. Isso ocorre porque a creatina serve de combustível somente para um dos possíveis processos de quebra de ATP, o anaeróbio alático ( veja quadro), que ocorre em exercícios de alta intensidade e curta duração. Por isso a creatina é necessária somente em treinos que possuam essa característica e mostrase pouco útil na manutenção de atividades mais longas e sustentadas.
“O uso da creatina como suplemento em corridas longas não tem justificativa na literatura científica. Sua ação é visível somente em exercícios de curta duração e de grande intensidade, como as provas de tiro de 100m rasos, sprints, levantamento de pesos e outras modalidades que envolvam esforços intensos e breves”, completa Anna Cristina Castilho, especialista em fisiologia do exercício pela Unifesp/EPM, nutricionista do Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN) e nutricionista da equipe Helix de assessoria esportiva.
O American College Of Sports Medicineconfirma os benefícios da creatina para atividades de curta duração, mas afirma que ainda faltam estudos que estabeleçam uma média significativa para a comprovação segura de seus prováveis efeitos. “Existe muita coisa errada e mal pesquisada na suplementação com a creatina. É preciso cuidado com promessas milagrosas de ganho de rendimento e massa muscular em qualquer substância”, afirma o Dr. Turíbio Leite, fisiologista do esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Novidade
Um estudo feito em 2002 pelo Laboratório de Biologia Celular do Departamento de Saúde e Nutrição da Universidade do Texas descobriu algo de novo em relação à creatina. Foram constatadas evidências de que essa substância possui características antioxidantes, combatendo os radicais livres e evitando o envelhecimento celular. A pesquisa foi realizada somente em laboratório e ainda não há conclusões de que a creatina tenha o mesmo comportamento no organismo humano.
Sempre com acompanhamento
Cada quilo de carne ou peixe oferece cerca de 5g de creatina. Mas mesmo quem capricha nas quantidades desses alimentos não precisa se preocupar com riscos de uma superdosagem – o perigo está nos suplementos que oferecem dosagens maiores que as naturais.
A creatina pode ser encontrada no mercado como creatina monohidratada ou xarope de creatina. “São apenas formas de apresentação do produto – a eficácia é a mesma. O xarope, em especial, pode não ter a quantidade prometida na dosagem e possui os mesmos efeitos colaterais das outras formas”, observa Turíbio.
A suplementação costuma ser feita com 20 ou 30g/dia nos cinco primeiros dias, o que representa um aumento de 25% nos níveis de creatina muscular – muito superiores à quantidade que seria normalmente ingerida. Alguns atletas ingerem tais quantidades por semanas ou meses, comprometendo o organismo. “O consumo indiscriminado pode prejudicar a função hepática e renal porque sobrecarrega os rins e o fígado”, alerta Flávia. Além disso, em 1998 a Food And Drug Administration (FDA, órgão que controla todos os produtos alimentares vendidos nos Estados Unidos) publicou uma lista de 32 possíveis efeitos colaterais associados à suplementação com creatina. Entre eles estão relatos de diarréias, ansiedade, arritmias cardíacas, vômitos, cãibras e tromboses.
Como sempre, é importante consultar um médico ou nutricionista antes de ingerir qualquer suplemento alimentar. Uma boa alimentação e um treinamento bem estruturado são ainda a melhor maneira de fazer seu condicionamento físico evoluir com segurança. ::
RAPIDINHAS DA CREATINA
:: Substância natural encontrada na carne vermelha e no peixe.
:: É uma forma de armazenamento de energia muscular (creatina-fosfato).
:: 95% da quantidade total de creatina que temos em nosso corpo é armazenada nos músculos com fibras de contração rápida. Por isso, sua ação é visível somente em exercícios de curta duração e de grande intensidade e, ainda assim, com pouca melhora na performance.
:: Não melhora a performance em exercícios de resistência como a corrida.
:: Provoca a retenção de água e traz uma aparência mais inchada e aumento de peso.
:: Entre os efeitos colaterais relatados pelos usuários estão cãibras, diarréia e vômito.
ATP, MUITO PRAZER
A energia que usamos para nos manter vivos vem da nossa alimentação. A comida que ingerimos é digerida e quebrada por uma série de reações químicas até se transformar numa molécula de ATP, em cuja estrutura está a energia que necessitamos para realizar todas as atividades – inclusive treinar. “Durante a corrida, a energia para a contração do músculo vem da quebra da molécula do ATP, que se transforma então em ADP ou adenosina difosfato. A creatina fica armazenada na célula muscular como creatina-fosfato, que fornece ao ADP o fósforo necessário para transformá-lo em ATP novamente e, assim, garantir que a contração muscular possa continuar acontecendo”, explica a nutricionista Anna Cristina Castilho.
O ATP pode ser “quebrado” através de vários processos:
1:: respiração celular: ocorre em atividades de intensidade leve e moderada, como os treinos longos. Usa o oxigênio como combustível.
2:: glicólise anaeróbia: ocorre em exercícios de alta intensidade, como os treinos de tiro ou intervalados. Usa a glicose como combustível e envolve a desintegração incompleta do carboidrato, transformandoo em ácido láctico.
3:: anaeróbio aláctico: ocorre em atividades muito intensas, que envolvem força e velocidade, como levantamento de peso e sprints de 100 metros. Usa a creatina-fosfato como combustível e também produz ácido lático.

Ciência & Saúde -> AVC - Acidente Vascular Cerebral

AVC - Acidente Vascular Cerebral

1 - INTRODUÇÃO:

Conhecido popularmente como "derrame cerebral", o Acidente Vascular Cerebral (designado pela sigla AVC pelos médicos) é a terceira causa de morte em vários países do mundo e a principal causa de incapacitação física e mental.

O termo "derrame" pode ser confundido com outras doenças. Segundo o dicionário de português Aurélio, significa acúmulo de líquidos em cavidades naturais. Assim, temos o derrame pleural, pericárdico ou articular. Ora, não existe cavidade natural no cérebro; então, neste caso, não deveríamos utilizar esta expressão.

Figura 1: Crânio aberto, mostrando o osso, a dura-máter e a aracnóide.Fonte. Netter FH. coleção Ciba de Ilustrações Médicas,arcelona, Salvat, 1987B
O objetivo deste manual é informar aos pacientes e seus familiares sobre esta terrível doença, quanto ao modo como ocorre, "fatores de risco" (são aqueles que facilitam ou que estariam relacionados com a sua ocorrência), quando desconfiar, exames complementares, o tratamento e a reabilitação (fisiatria e fisioterapia). Antes, porém, é preciso entender um pouco sobre a estrutura cerebral e seu funcionamento.

Não vamos, também, expor todos os detalhes, para que a leitura não se torne complexa e cansativa; além disso, seria quase impossível Na maioria das vezes, utilizaremos termos mais simples, não técnicos. justamente para facilitar a compreensão do leigo.

Esperamos que o leitor fique apto a debater com o médico várias questões, bem como esclarecer dúvidas, com o objetivo de otimizar ao máximo o tratamento e a recuperação do paciente.

2 - COMO É O CÉREBRO E SEU FUNCIONAMENTO?

O cérebro é envolto por umas peles" bem finas, que lhe dão proteção chamadas meninges. A mais extensa é a dura-mater, depois vem a aracnóide e a pia-mater. Todas estão dentro de uma caixa óssea" que é o crânio (Figura 1).

Para compreendermos melhor, vamos "dividir" o cérebro ao meio, na direção do nariz para a nuca, e teremos a metade direita e esquerda. Cada metade, por sua vez, apresenta regiões com determinadas funções conhecidas (figuras 2 e 3). Assim, existem aquelas responsáveis pelos movimentos de partes do nosso corpo (motricidade),
Figura 2: Cérebro visto de cima; note que apresenta naturalmente duas metades (direita e esquerda). Fonte: Coleção Ciba de Ilustrações Médicas, Barcelona, Salvat, 1987
pelas sensações, pela coordenação dos movimentos, pela expressão verbal (fala) e compreensão da mesma.

Em geral, as funções motoras e sensitivas são "cruzadas" , ou seja, a metade direita do cérebro comanda a metade esquerda do corpo e vice-versa. Em outra palavras, se houver uma lesão na metade direita do cérebro, na área correspondente ao movimento da mão, por exemplo, teremos uma diminuição da força da mão esquerda. Existem regiões que apresentam muitas funções diferentes, como o "tronco cerebral". Nele, por exemplo, está o centro que comanda a nossa respiração, além de passar todos os comandos que vêm do cérebro.

Nosso cérebro, como todo o resto do organismo, necessita de oxigênio e "alimento" para trabalhar normalmente. Estas substâncias chegam a ele através do sangue, que circula dentro dos vasos sangüíneos (artérias e veias)1.

1Artérias são os vasos que levam sangue do coração para todo o organismo, enquanto que as veias fazem o contrário.

Figura 3a: Corte de uma metade do cérebro, mostrando algumas áreas e suas respectivas representações corporais. Note que a face e a mão possuem grande território em relação ao restante do corpo. Mais abaixo os nervos" caminham em direção ao tronco cerebral e, dai, para as respectivas partes do corpo.Fonte: Netter FH: coleção Ciba de Ilustrações Médicas, Barcelona, Salvat,1987

Figura 3b: Diagrama da metade esquerda do cérebro, com a área de movimento (vermelho) e as áreas sensitivas (azul).Fonte: Cunningham: Manual de Anatomia Prática ,São Paulo. Atheneu. 1976


As principais artérias que unem o coração ao
cérebro são (figura 4):

  • Carótidas: Uma de cada lado
    do pescoço, enviando o sangue para a respectiva "metade" do cérebr
    o, mas na parte da frente.

  • Cerebrais médias: Uma de cada lado, dentro do cérebro(nascem da
    s carótidas).

  • Vertebrais: Uma de cada lado do pescoço (por "dentro" dos ossos da coluna vertebral. Enviando sangue para a parte de trás do
    cérebro.

Estas artérias, por sua vez, apresentam suas respectivas ramificações. Para que o sangue fornecido ao cérebro seja adequado é preciso:


  • Um bom funcionamento do coração, dos rins, dos pulmões etc;
  • que a pressão seja adequada;
  • Figura 4: Principais artérias responsáveis pelo fornecimento de sangue ao cérebro. Qbserva-se a área de trombose.Fonte: Netter FH: Coleção Ciba de Ilustrações Médicas. Barcelona, Salvat. 1987.



  • livre passagem do sangue através dos vasos;
  • que os constituintes do sangue esteja adequados (glóbulos vermelhos, glicose, oxigênio, colesterol etc.).

    Assim, quaisquer alterações para mais ou para menos podem afetar a circulação cerebral e determinar um AVC.

    Observação:
    O sangue pode ser dividido em duas partes: uma líquida, formada basicamente por água e outra que são os constituintes (figura 5):


  • - proteínas, glicose (açúcar), glóbulos vermelhos (responsáveis pelo transporte de oxigênio e gás carbônico), glóbulos brancos (responsáveis pela defesa do organismo), plaquetas (responsáveis pela coagulação do sangue), etc.


  • 3 - COMO PODERÍAMOS DEFINIR AVC?

    O AVC pode ser compreendido como uma dificuldade, em maior ou menor grau, de fornecimento de sangue e seus constituintes a uma determinada área do

    cérebro, determinando o sofrimento ou morte

  • desta (neste caso, chamado infarto) e, consequentemente, perda ou diminuição das respectivas funções. Existem basicamente dois tipos de AVC:

    a) Isquêmico: quando não há passagem de sangue para determinada área, por uma obstrução no vaso ou redução no fluxo sangüíneo do corpo.

    b) Hemorrágico: quando o vaso sangüíneo se rompe, extravasando sangue.


  • Figura 5: Desenho mostrando uma artéria e alguns dos constituintes ao sangue.Fonte: Modificado de Netter FH: Coleção Ciba de Ilustrações Médicas. Barcelona, Salvat, 1987

    a) O Acidente Vascular Cerebral lsguêmico pode ocorrer nas seguintes situações:

    · Trombose arterial: é a formação de um coágulo de sangue (como se o sangue "endurecesse", parecendo uma gelatina) dentro do vaso (figura 6), geralmente sobre uma placa de gordura (aterosclerose), levando a uma obstrução total ou parcial. Os locais mais freqüentes são as artérias carótidas e cerebrais. Assim, se houver obstrução total da carótida direita, por exemplo, "a parte da frente da metade direita do cérebro" estará comprometida, determinando problemas (paralisia, perda de sensibilidade etc.) na metade esquerda do corpo.

    · Embolia cerebral: surge quando um coágulo (formado num coração doente por arritmia, problema de válvula, etc.) ou uma placa de gordura (ateroma), que se desprende ou se quebra geralmente da artéria carótida, correm através de uma artéria até encontrar um ponto mais estreito, não conseguindo passar e obstruindo a passagem do sangue (figura 7).

    Esquema demostrando o processo de trombose e embolia. Fonte:Netter FH: coleção Ciba de Ilustrações Médicas, Barcelona, Salvat. 1987.

    A isquemia pode ser definitiva ou temporária. Neste caso, o sangue volta a passar após um período de minutos a horas e, enquanto isso não ocorre, o paciente apresenta as alterações que serão citadas no capítulo

    • Arterites: inflamação da artéria, levando à obstrução da luz, ocasionada por vírus, alteração na imunidade (sistema de defesa do organismo) etc.
    • Vasoespasmo: é uma reação descontrolada do vaso (artéria) que diminui muito o seu calibre a ponto de não permitir a passagem adequada de sangue. Isto pode ocorrer diante de uma aumento exagerado da pressão arterial (crise hipertensiva), complicação de uma enxaqueca (raro), ou de uma hemorragia bubaracnóidea.
    • mais raro ainda seria uma compressão do lado de fora do vaso, por um tumor, uma vértebra fraturada ou um tiro na região do pescoço.
    • Redução do fluxo sangüíneo: uma parada cardíaca ou um sangramento intenso em qualquer parte do corpo podem levar a um sofrimento de determinada região do cérebro, causando isquemia.
    5. Este fenômeno é conhecido popularmente como "ameaça de derrame" (ou Ataque Isquêmico Transitório, nos termos médicos) e o paciente não apresenta seqüelas. Isto é multo importante, pois é um sinal de que pode ocorrer uma isquemia permanente a qualquer momento, se nada for feito para evitá-las, ficando seqüelas para o paciente

    .b) No Acidente Vascular Hemorrágico pode ocorrer extravasamento de sangue para dentro do cérebro (hemorragia intracerebral - figura 8) ou para o lado de fora, entre o cérebro e a aracnóide (já citada no capitulo 2), ocasionando a hemorragia subacnóidea. Ambos podem ocorrer por crise hipertensiva, ou por uma alteração sangüínea em que ocorra muita dificuldade de realizar a coagulação normal (hemofilia, diminuição de plaquetas, algumas doenças reumáticas. etc.). Uma má-formação congênita de um vaso como um aneurisma2 cerebral, por exemplo, também pode levar à hemorragia subaracnóidea. Já a hemorragia intracerebral também pode ser causada por doenças como Angiopatia amilóide (mais comum em pessoas idosas).

    Figura 8:Hemorragia intracerebral. Observe como as estruturas dentro do cérebro estâo desviadas.Fonte: Netter FH: Coleção Ciba de Ilustrações Módicas. Barcelona, Salvat, 1987.

    Tanto na isquemia quanto na hemorragia intracerebral, vão ocorrer mortes de células3, ocorrendo o infarto, Ao redor deste, como "reação" do organismo, ocorre uma área de edema, ou seja, como se fosse uma "infiltração" de água e outros constituintes provenientes do sangue (proteínas,

    Quando ocorre uma hemorragia, o sangue extravasado vai ocupar um lugar do cérebro, empurrando-o e comprimindo as suas estruturas. Lembremos porém que tudo isto está ocorrendo dentro do crânio, uma caixa óssea" dura. Como ocorre um aumento do volume intracraniano, a pressão intracraniana aumenta. Isto leva a uma dificuldade para que chegue sangue ao restante do cérebro, ainda normal! piorando a lesão. Como conseqüência disto, o paciente pode ficar sonolento, confuso ou em coma.

    2Aneurisma: dilatação localizada de uma artéria. cuja parede se torna mais fina neste ponto. podendo romper-se (Veja uma imagem).

    3Célula., menor unidade de matéria viva que constitui os seres vivos.

    sais, etc.), ocasionando um "inchaço", aumentando ainda mais a pressão intracraniana. Esta região, chamada zona de penumbra, é muito importante, pois as células aí existentes estão vivas e não funcionantes de forma adequada. Nela é possível ocorrer recuperação total através de cuidados médicos urgentes, evitando maiores seqüelas ao paciente.

    Recentemente, têm surgido muitos estudos sobre os chamados Radicais livres. De maneira simples, seriam "substâncias" tóxicas produzidas pelo próprio organismo, em várias situações de agressão, dentre elas o AVC. São multo prejudiciais às células, podendo lesioná-las definitivamente.

    Enfim, devemos compreender que muita coisa acontece ao mesmo tempo quando este quadro ocorre, multas delas ainda desconhecidas, Existem alterações do cálcio, de neurotransmissores (substâncias que transmitem informações dentro do cérebro), etc; todas devendo ser combatidas ao mesmo tempo.

    4- FATORES DE RISCO PARA O AVC:

    Como já vimos, fator de risco é aquele que pode facilitar a ocorrência do AVC. É imprescindível a sua caracterização e devida correção, pois quase toda a prevenção do AVC é baseada no combate aos fatores de risco. Os principais são:

    a. Pressão Arterial: é o principal fator de risco para AVC. Na população, o valor médio é de "12 por 8"; porém, cada pessoa tem o um valor de pressão, que deve ser determinado pelo seu médico. Para estabelecê-lo, são necessárias algumas medidas para que se determine o valor médio. Quando este valor estiver acima do normal daquela pessoa, temos a hipertensão arterial. Tanto a pressão elevada quanto a baixa são prejudiciais, A melhor solução é a prevenção! Devemos entender que qualquer um de nós pode se tornar hipertenso. "Não é porque mediu uma vez, estava boa e nunca mais tem que se preocupar"! Além disso, existem murtas pessoas que tomam corretamente a medicação determinada porém uma só caixa! A pressão está boa e, então, cessam a medicação. Ora, a pressão está boa justamente porque está seguindo o tratamento! Geralmente, é preciso cuidar-se sempre, para que ela não suba inesperadamente. A hipertensão arterial acelera o processo de aterosclerose, além de poder levar a uma ruptura de um vaso sangüíneo ou a uma isquemia (Determine sua Pressão Arterial).

    b. Doença Cardíaca: qualquer doença cardíaca, em especial as que produzem arritmias, podem determinar um AVC. "Se o coração não bater direito"; vai ocorrer uma dificuldade para o sangue alcançara cérebro, além dos outros órgãos, podendo levara uma isquemia. As principais situações em qúe isto pode ocorrer são: arritmias, infarto do miocárdio, doença de Chagas, problemas nas válvulas etc. (Determine seu Risco Cardíaco).

    c. Colesterol: o colesterol é uma substância existente em todo o nosso corpo, presente nas gorduras animais; ele é produzido principalmente no fígado e adquirido através da dieta rica em gorduras. Seus níveis alterados, especialmente a elevação da fração LDL (mau colesterol, presente nas gorduras saturadas, ou seja, aquelas de origem animal, como carnes, gema de ovo etc.) ou a redução da fração HDL (bom colesterol) estão relacionados à formação das placas de aterosclerose.

    d. Fumo: sempre devemos evitá-lo; é prejudicial à saúde em todos os aspectos, principalmente naquelas pessoas que já têm outros fatores de risco aqui cita dos. Acelera o processo de aterosclerose, torna o sangue mais grosso (concentrado) ao longo dos anos (aumentando a quantidade de glóbulos vermelhos) e aumenta o risco de hipertensão arterial
    (Determine sua dependência ao fumo).

    e.Uso excessivo de bebidas alcoólicas: quando isso ocorre por murta tempo, os niveis de colesterol se elevam; além disso, a pessoa tem maior propensão à hipertensão arterial.

    f. Diabetes Mellitus: é uma doença em que o nível de açúcar (glicose) no sangue está elevado. A medida da glicose no sangue é o exame de glicemia. Se um portador desta doença tiver sua glicemia controlada, tem AVC menos grave do que aquele que não o controla.

    g. Idade: quanto mais idosa uma pessoa, maior a sua probabilidade de ter um AVC. Isso não impede que uma pessoa jovem possa ter.

    h. Sexo: até os 51 anos de idade os homens ter maior propensão do que as mulheres; depois desta idade, o risco praticamente se iguala.

    i. Raça: é mais freqüente na raça negra.

    j. História de doença vascular anterior: pessoas que já tiveram AVC, "ameaça de derrame", infarto do miocárdio (coração) ou doença vascular de membros (Trombose etc.), tem maior probabilidade de ter um AVC.

    k. Obesidade: aumenta o risco de diabetes, de hipertensão arterial e de aterosclerose; assim, indiretamente, aumenta o risco de AVC.

    l. Sangue muito concentrado: isso ocorre, por exemplo, quando a pessoa fica desidratada gravemente ou existe um aumento dos glóbulos vermelhos. Este último ocorre em pessoas que apresentam doenças pulmonares crônicas (quer dizer, por muitos anos), ou que vivem em grandes altitudes. Em ambos os casos, o organismo precisa compensar a falta de oxigênio, aumentando a produção dos glóbulos vermelhos, para não deixar "escapar" qualquer oxigênio que chega aos pulmões.

    m. Anticoncepcionais hormonais: os mais utilizados são as pilulos mas o médico deve avaliar e orientar cada caso. Atualmente se acredita que as pílulas com baixo teor hormonal, em mulheres que não fumam e não tenham outros fatores de risco, não aumentam a probabilidade de aparecimento de AVC.

    n.Sedentarismo: a falta de atividades físicas leva à obesidade, predispondo ao diabetes, à hipertensão e o aumento do colesterol.(Determine seu Nível de Aptidão Física).

    "Para entendermos como se combinam todos estes fatores, imaginem um cano (Tubo) por onde passa a água. Agora, vamos acrescentando lama a esta água e a velocidade da mesma começará a diminuir. A lama corresponderia aos constituintes do sangue. Finalmente, vamos colocar uns obstáculos de "cimento colante" dentro deste tubo (correspondendo as placas de aterosclerose); Logo, vamos notar que a lama vai começar a aderir a este cimento, aumentando ainda mais as dificuldades para a água passar".

    5- QUANDO DESCONFIAR QUE UMA PESSOA ESTÁ APRESENTANDO UM AVC?

    O AVC manifesta-se de modo diferente em cada paciente, pois depende da área do cérebro atingida, do tamanho da mesma, do tipo (Isquêmico ou Hemorrágico), do estado geral do paciente, etc.

    De maneira geral, a principal característica é a rapidez com que aparece as alterações; em questão de segundos a horas (de maneira abrupta ou rapidamente progressiva). Podemos chamar a atenção para aquelas mais comuns:

    Fraqueza ou adormecimento de um membro ou de um lado do corpo, com dificuldade para se movimentar;


    1. Alteração da linguagem, passando a falar "enrolado" ou sem conseguir se expressar, ou ainda sem conseguir entender o que lhe é dito;

    2. perda de visão de um olho, ou parte do campo visual de ambos os olhos;

    3. dor de cabeça súbita, semelhante a uma "paulada, sem causa aparente, seguida de vômitos, sonolência ou coma; perda de memória, confusão mental e dificuldades para executar tarefas habituais (de início rápido).

    Estas alterações não são exclusivas do AVC. Apenas servem de alerta de que algo está acontecendo, devendo procurar auxílio médico imediatamente.

    Devemos chamar a atenção para aqueles pacientes mais idosos, acamados por quaisquer motivos, inclusive por um "derrame" prévio. Neste caso, eles têm vários fatores de risco e é muito comum passarem desapercebidas estas alterações. É importante prestarmos atenção na capacidade habitual de movimentos de seus membros, como eles costumam falar, na quantidade e horário normal de sono. Se houver piora (por exemplo, "antes erguia a mão até a cabeça, agora o faz pouco ou nem movimenta"), levar ao médico e, de preferência, prestar estas informações a ele.

    6- EXAMES COMPLEMENTARES

    Exames complementares são aqueles solicitados pelo médico com a finalidade de confirmar ou afastar o diagnóstico de uma doença que está suspeitando descobrir a causa, verificar a gravidade e a evolução e certificar-se do local da lesão.

    Assim, para que o médico possa determinar os exames necessários, é preciso sua prévia avaliação, baseada nas informações dos acompanhantes e, quando possível, do próprio paciente, bem como o exame clínico e neurológico do mesmo.

    As informações mais importantes, em geral, são: o que o paciente sente, desde quando , a maneira que começou a adoecer (rápida, progressiva etc...), como o paciente passou do início até a admissão ao hospital, medicamentos, doenças prévias e atuais etc..

    Os exames mais comuns são:


    1. exames laboratoriais de sangue, urina, líquido cefalorraquiano (líquor)

    2. avaliação cardíaca e pulmonar, eletrocardiograma, ecocardiograma, radiografia do tórax;

    3. exames de imagem do crânio (cérebro), tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, angiografia cerebral;

    4. outros exames: ultrassonografia das artérias carótidas e vertebrais, etc.

    7- TRATAMENTO

    Devemos lembrar que o AVC é uma urgência, tanto quanto o infarto do coração. Em outras palavras, diante de uma suspeita, levar o paciente imediatamente ao Pronto Socorro.

    Evite medicar sem orientação médica, por melhor que seja a sua intenção. Como exemplo, muitas vezes a pressão arterial está elevada e, na ansiedade de querer baixá-la, corre-se o risco de exagerar. Neste caso, a pressão baixa dificultará a chegada do sangue ao cérebro, complicando o quadro.

    No hospital, o médico responsável deverá se preocupar, entre vários parâmetros, com uma respiração e hidratação adequada, com uma dieta adequada (seja via oral ou através do sangue), cuidados para evitar feridas (escaras) devido a persistência do paciente numa mesma posição, controle da pressão e da temperatura (evitando complicações infecciosas, principalmente pulmonares), prevenção de trombose nas veias das pernas, etc.. Além de tudo, existe o tratamento específico: correção dos distúrbios da coagulação sangüínea, prevenção do vaso espasmo (1á explicado), evitar aumento da zona de penumbra (devido ao edema) combater os radicais livres, etc...

    Devemos entender que "cada caso é um caso". Alguns podem necessitar de tratamento cirúrgico, como drenagem de um hematoma (coágulo) ou para a correção de uma má formação, por exemplo um aneurisma2.

    Hoje sabemos que outras áreas do cérebro, não afetadas por uma lesão, podem assumir determinadas funções realizadas por aquelas que "morreram"; e, ainda, podem ocorrer regenerações de algumas pequenas partes. A este conjunto de fenômenos chamamos de neuroplasticidade. Existem pesquisas de medicamentos para potencializar este fenômeno.

    O tratamento. em todos os seus aspectos, deve ser precoce, com o que se obtém melhores resultados.

    Após a alta hospitalar, o tratamento continua. O médico responsável dará a receita dos medicamentos a serem tomados, assim como todas as orientações necessárias.

    Uma das medidas a serem tomadas pelos familiares é procurar algum serviço de assistência social onde o paciente trabalho do hospital onde foi atendido ou de serviço público para providenciar o recebimento do seguro saúde, aposentadoria ou equivalente.

    Tem início. então o tratamento ambulatorial, com o neurologista e toda uma equipe de especialistas em diferentes áreas, que serão requisitados de acordo com cada caso; fisiatria e fisioterapia, fonoaudiologia. psicólogo, terapia ocupacional, entre outros. Em geral, o médico responsável dará estas orientações, além de coordenar a equipe.

    A família deve ficar atenta à eventuais complicações que possam surgir sendo os sintomas mais freqüentes;


    1. dor no peito ou respiração mais curta;

    2. sangramento, principalmente se estiver tomando remédios para "afinar" o sangue (anticoagulantes);

    3. dor de estômago, indigestão ou soluços frequentes, especialmente se estiver tomando ácido acetil salicílico (AAS, Aspirina etc.);

    4. convulsões ou perda de consciência;

    5. dor para urinar;

    6. febre;

    7. alteração do comportamento, depressão ou agressividade;

    8. piora da força;

    9. "prisão de ventre" (obstipação intestinal) prolongada.

    8 - A REABILITAÇÃO DO PACIENTE

    A reabilitação é o conjunto de procedimentos que visam restabelecer, quando possível, uma função perdida pelo paciente temporária ou permanentemente, realizada por uma equipe multidisciplinar, coordenada preferencialmente pelo médico fisiatra:

    Com relação ao paciente acometido pelo AVC, os objetivos de reabilitação são:

    a - Prevenir complicações; as mais comuns são as deformidades. Com a paralisação dos músculos e a instalação de uma rigidez (chamada de espasticidade) nas partes do corpo afetadas, ocorre a perda da mobilidade das articulações, que passam a adotar posições erradas, ficando deformadas e impedindo o paciente de realizar certos movimentos, como estender os joelhos e cotovelos, andar, flexionar os braços, etc. Outras complicações comuns são as síndromes álgicas (dores difusas pelo corpo), o ombro doloroso, doenças pulmonares (broncopneumonia), a trombose venosa profunda, as escaras (feridas formadas pela pressão contínua em um determinado ponto), entre outras. Todas estas complicações podem ser evitadas através da movimentação com exercícios corretos, com uso de órteses (aparelhos para manter os ombros posicionados corretamente), procedimentos visando diminuir a espasticidade e uso de medicamentos para dor, prescritos pelo médico.

    b - Recuperar ao máximo as funções cerebrais comprometidas pelo AVC, que podem ser temporárias ou permanentes. Isto pode ser feito através do atendimento precoce ao paciente, tanto do ponto de vista clínico quanto reabilitacional, através da realização de exercícios, treino de atividades e uso de equipamentos especiais que ajudem a preservar os movimentos e a saúde das articulações.

    c - Devolver o paciente ao convívio social, tanto na família quanto no trabalho, reintegrando-o com a melhor qualidade de vida possível.

    De um modo geral, alguns princípios de reabilitação podem ser iniciados no primeiro ou segundo dia do AVC, como posicionamentos adequados e movimentos passivos, visando prevenir complicações secundárias, com o paciente ainda hospitalizado.

    Ao sair do hospital, o paciente deve continuar seu tratamento de reabilitação, a nível ambulatorial, com o fisiatra, num centro especializado, se necessário, ou em casa, seguindo as orientações dadas pela equipe. E é neste momento que entra o papel fundamental da família, fornecendo a infra-estrutura necessária para o amplo restabelecimento do paciente, da seguinte forma:


    a. Dando corretamente as medicações prescritas (lembre-se que o paciente com AVC pode ter alterações de memória e se esquecer dos remédios e horários).

    b. Promovendo o comparecimento às consultas e terapias.

    c. Fornecendo um ambiente de tranqüilidade e compreensão, para que o paciente não se deixe levar pela depressão e/ou agressividade, fato comum nestes casos.

    d. Motivando o paciente:

    • evitando que durma o dia todo;
    • colocando roupas confortáveis durante o dia (agasalhos esportivos, abrigos. etc.);
    • tornando as roupas fáceis de serem colocadas e retiradas (uso de velcro, botões de pressão, elásticos, entre outros);
    • utilizando o pijama somente à noite;
    • colocando-o sentado na cama ou no sofá (de preferência), sempre que possível;
    • levando-o a passeios dentro e fora de casa com o auxílio de cadeira de rodas ou caminhando com a ajuda de aparelhos (órteses) ou bengalas;
    • dando pequenas tarefas possíveis de serem realizadas (sob a orientação do terapeuta ocupacional);
    • tentando estimular a retomada das atividades profissionais ou de alguma atividade que ele possa exercer;
    • adaptando o interior da casa, com corrimões, rampas e pouca mobila, para facilitar a locomoção do paciente (procurar não descaracterizar o ambiente onde ele vivia; alterar a disposição dos móveis pode confundir e desorientar os pacientes mais idosos);
    • a utilizar o banheiro para suas necessidades e tomar o banho

    e. Dando uma dieta adequada:

    • com pouco sal (para evitar o edema nas partes paralisadas);
    • com pouca gordura;
    • leve (para facilitar a digestão);
    • rica em fibras e líquidos, para evitar uma complicação mais comum, o ressecamento intestinal (cabe ao médico indicar ou não o uso de laxantes).


    f. Auxiliando a realização de atividades e exercícios orientados para casa (esses exercícios são inicialmente passivos, ou seja, o paciente não os realiza voluntariamente; depois passam a ser ativos, onde solicita-se para que ele realize determinados movimentos),

    g. Posicionando corretamente os braços ou pernas afetados.

    De um modo geral, alguns princípios de reabilitação podem ser iniciados no primeiro ou segundo dia do A V C, como posicionamentos adequados e movimentos passivos, visando prevenir complicações secundárias, com o paciente ainda hospitalizado. Ao sair do hospital, o paciente deve continuar seu tratamento de reabilitação, a nível ambulatorial num centro especializado, se necessário, ou em casa, seguindo as orientações dadas pela equipe. Neste momento é que entra o papel fundamental da família, fornecendo a infra-estrutura necessária para o amplo restabelecimento do paciente.

    (Este texto foi extraído e modificado do informativo de mesmo título – autores: Drs. Ibsen T. Damiani e Edson I. Yokoo, revisor Dr. Rubens J. Gagliardi – Editado por TRB PHARMA – em 1995, nossos agradecimentos àquela industria farmacêutica e autores).

    Fonte: Hospital Tacchini

    Ciência & Saúde -> Identificação de AVC (Derrames)

    ALGO QUE TODO MUNDO DEVE SABER: SERÁ QUE É DERRAME?

    Às vezes, os sintomas de um derrame são difíceis para um leigo identificar. Infelizmente, a falta de reconhecimento dos sinais de AVC provoca um grande estrago.
    A vítima de um derrame pode sofrer danos cerebrais irreversíveis quando as pessoas ao seu redor não identificam, a tempo, os sintomas apresentados Agora, os médicos informam que uma pessoa que conviva com alguém que, eventualmente, venha a ter um ataque, pode reconhecer os sinais de derrame, mediante três testes simples.

    - Pedir à pessoa para rir.
    - Pedir para levantar os dois braços.
    - Pedir para dizer/repetir uma frase simples.

    Se ele/ela tem dificuldade em executar um destes testes, chame, imediatamente, o pronto-socorro e relate a quem atender ao telefone os sintomas.

    Depois de descobrir que um grupo de voluntários não-médicos, pode identificar um problema facial, um problema na execução de movimento muscular(levantar os braços)ou dificuldade em falar, os cientistas, agora, querem ensinar ao público em geral esses três testes. Eles apresentaram suas conclusões na na reunião anual da American Stroke Association,em fevereiro do ano passado(2004).

    O uso comum destes testes pode favorecer uma diagnose imediata e um tratamento de derrame, e, com isso, prevenir um dano maior ao cérebro do paciente.

    Segundo um cardiologista : se cada pessoa que receber este e-mail, repassá-lo para mais dez pessoas de sua lista, pode estar certo de que, no mínimo, uma vida será salva.
    Seja solidário/a e partilhe esta informação com tantos amigos quantos for possível e, assim, você estará contribuindo para salvar vidas.

    Ciência & Saúde -> Câncer de próstata

    O Câncer da próstata é uma doença que pode surgir com o envelhecimento do homem, a partir dos 40 anos. À medida que o homem vai envelhecendo, a incidência dessa doença vai aumentando. Quanto mais cedo essa doença atinge o indivíduo, mais grave ela será. Quanto mais tarde se fizer o diagnóstico, mais difícil será a cura. Nos Estados Unidos, é o câncer mais diagnosticado em homens e a segunda causa principal de todas as mortes por câncer. No Brasil, apesar das estatísticas não serem muitos fiéis, já caminha para a primeira causa. Neste texto, a Unimed preparou orientações básicas sobre a doença para você ler, se informar e saber como buscar o diagnóstico precoce e o tratamento correto. Assim, você poderá se precaver ou se tratar, resultando na melhoria da qualidade de vida para você e sua família.
    O que é a próstata

    A próstata é um pequeno órgão situado logo abaixo da bexiga, em forma de uma castanhaportuguesa, atravessada pela uretra. só os homens possuem próstata e o seu desenvolvimentoé estimulado pela testosterona, o hormônio sexual masculino produzido pelos testículos.

    Para que serve a próstata

    A próstata é um órgão glandular que produz uma substância que, juntamente com a secreção da vesícula seminal e os espermatozóides produzidos nos testículos, vai formar o sêmem ou esperma. Sem o líquido produzido pela próstata, os espermatozóides não viveriam até atingir o óvulo no momento da fecundação. Além de conferir proteção, contém alimentos para o espermatozóide, na sua longa caminhada ao encontro do óvulo.
    As doenças que ocorrem na próstata

    A próstata, ao contrário do que se pensa, é sede de um grande número de doenças que atingem o homem desde a adolescência até a velhice.

    .Prostatite

    Trata-se de uma infecção que chega a próstata, na maioria das vezes pela uretra, algum tempo após uma uretrite purulente ou não, podendo também vir pelo sangue de um outro foco infeccioso que está à distância. Uma sinusite, por exemplo.
    Sintomas - Os sintomas podem vir desde uma sensação de queimação da uretra, até dor dos mais variados graus na região entre o ânus e o escroto, seguida ou não de febre e mal-estar.




    . Tumor benigno da próstata

    Também conhecido como adenoma de próstata, é a doença que mais incide na próstata. Consiste em um crescimento das glândulas prostáticas e, consequ
    entemente, de toda a próstata. como a próstata é atravessada pela uretra, esta passa a ser comprimida, dificultadando a passagem da urina.


    Sintomas

    - O jato uruinário vai se tornando cada vez mais fraco e fino.
    - A pessoa urina muitas vezes durante a noite.
    - Após urinar , logo sente vontade de urinar de novo, e urina mais um pouco.

    - Às vezes, após urinar, sente que ainda ficou com urina na bexiga.
    - Pode sentir forte vontade e ter que sair correndo para urinar, podendo até fazer na roupa ou na cama.


    Tumor maligno da próstata

    O grande problema é que, na grande maioria das vezes, o câncer de próstata, na sua fase inicial, não apresenta nenhum sintoma. Numa fase adiantada, começará a obstruir a urina, como ocorre com o tumor benigno, mas o tratamento curativo já é mais difícil. Trabalhos já mostraram que em autópsias realizadas em 100 indivíduos de 40 a 50 anos que vieram a falecer de v''árias causas, 4 deles eream portadores de câncer da próstata, sem nunca terem se queixado de qualquer sintoma. O tumor malignoda próstata pode estar associado ao tumor benigno, logo, os sintomas podem ser os mesmos.



    Disseminação - O câncer da próstata, quando avança, pode se disseminar (espalhar-se) pelo corpo, vindo a atingir outros órgãos, e principalmente os ossos. Uma dor na coluna vertebral num indivíduo na idade de risco pode ser até uma disseminação do tumor. Podee também atingir as costelas, bacia, fêmures, etc. muitas vezes o indivíduo tem uma fratura espontânea do fênmur, sem qualquer trauma, o que poderá ser uma fratura patológica, provocada pela disseminação do tumor.

    Exames Preventivos


    Toque retal - O indivíduo do sexo masculino, a partir dos 40 anos, deve realizar o exame de toque retal pelo menos uma vez por ano. Neste exame, o médico pesquisa o tamanho, consistência, pontos endurecidos dolorosos e mobilidade. O reto é a única via natural de acesso por ter sua parede intimamente ligada à próstata. O grande rpoblema é que os latinos, de um modo geral, têm grande preconceito com esse exame. No exército americano se dá tanta importância ao exame que o militar é obrigado a se submeter a partir dos 35 anos. Este toque serve para se fazer o diagnóstico precoce do tumor, memso quando não há sintomatologia, o que, na maioria das vezes, após tratamento cirúrgico , leva à cura.

    PSA - Significa ántígeno prostático específico", e é medido através do sangue do indivíduo. Trata-se de um antígeno específico da próstata, podendo estar normal ou aumentado tanto no adenoma benigno da próstata quanto no câncer da próstata, sendo que neste último, na maioria das vezes, etá aumentado. logo, o PSA por si só, sem o toque retal, não elimina a possibilidadese do câncer.

    Tratamento


    Em casos iniciais, istoé, quando o tumor ainda está na p'róstata, o tratamento é cirúrgico. Faz-se a retirada de toda a próstata, o que, na maioria das vezes, é curativo. Quando o tumor deixa a próstata, faz-se um tratamento à base de horm6onios, chamado quimioterapia hormomnal, com a finalidade de antagonizar os efeitos da testosterona. em outors casos, pode-se fazer radioterapia, associada ou não aos outros tratamentos anteriores.

    Os demais exames como ultra-sonografia e outros mais sofisticados ficam a critério médico, caso necessite de mais informações. Porém, é importante lembrar que o exame de toque retal é insubstituível.


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    Realização: UNIMED - VITÓRIA ES (Setembro de 1998)